
Autor: Alberto de Oliveira (1857-1937), um dos maiores nomes do Parnasianismo brasileiro — escola que valoriza a forma perfeita, a descrição objetiva e a ideia de arte pela arte. Publicado em 1886, é um soneto (14 versos) decassílabos (10 sílabas).
✅ O que ele diz:
O poema descreve, com riqueza de detalhes, um vaso visto casualmente: lugar nobre, mármore brilhante, cercado de objetos refinados. O poeta enaltece o artista chinês, que teria posto sentimento nas flores rubras e intensas pintadas no vaso. Depois, destaca a figura de um velho mandarim — traços exóticos, misteriosos — que provoca uma sensação indefinível de fascínio.
🎯 Principais traços:
– Foco no objeto: descrição clara, quase pictórica, sem o excesso de emoção pessoal.
– Exotismo: valoriza o que vem de fora, o diferente e o raro.
– Perfeição formal: linguagem elegante, vocabulário escolhido, ritmo harmonioso.
– Arte pela arte: o poema não quer ensinar nada — apenas mostrar a beleza da obra e da arte que a criou.
💡 Minha impressão:
É um exemplo perfeito do Parnasianismo: frio, elegante, técnico e visual. Não há drama pessoal, mas admiração pura pela habilidade do artista e pela beleza da peça. O “não sei quê” final mostra que, mesmo com tanta precisão, a arte também guarda um mistério que a razão não explica tudo — o que o torna vivo e interessante até hoje.
Gostou? Posso também colocar o poema completo para você ler? 📖
Vaso Chinês
Alberto de Oliveira
Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura —
Quem o sabe? — de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Simples, elegante e muito bem construído, como você viu na resenha. Gostou de ler o original? 📖
Deixe um comentário